“Compreendeis o que vos fiz? Dei-vos o exemplo, para que, como Eu vos fiz, façais vós também.” (Jo 13, 12.15)

A interpelação e o desafio que Jesus lança aos seus discípulos na última ceia, ajuda-me a situar sobre o significado da palavra DOM.

Hoje facilmente reconhecemos que alguns dons são inatos, por exemplo a forma como expressamos desde tenra idade uma capacidade desportiva ou musical faz-nos reflectir e concluir que a criança já nasce com determinado dom, muitas vezes já hereditário.

O DOM da Paternidade tem sido uma revelação do Amor de Deus para comigo e uma aprendizagem contínua a amar.

Ninguém nasce a saber ser pai, a nossa primeira aprendizagem é a de sermos filhos, vamos crescendo e vivenciando o cuidado, a proteção, o amor, a dedicação, o sacrifício que os nossos pais vão fazendo por nós. Todas estas vivencias só as valorizei quando iniciei esta dádiva da paternidade. Hoje reconheço mais conscientemente todas as opções dos meus pais e a forma como me amaram sempre plenamente apesar de muitas vezes não compreender o porquê de muitas coisas.

A Dom da Paternidade é algo que se desenvolve em cada um dos dias em que aprendemos a ser pais e é diferente de filho para filho, esta experiência ajuda-me a compreender a Paternidade Divina que ama cada filho de forma única, assim acontece comigo e com os meus filhos e esposa.

Aquando da adopção da nossa primeira filha foi um desafio incrível e uma grande responsabilidade, senti-me como São José depois da aparição do anjo: tinha a missão de aprender a amar aquela criança que nos foi confiada e ajudá-la a crescer em estatura, sabedoria e em graça. Foi uma grande alegria.

O amor não tem fronteiras, nunca senti qualquer diferença relativamente ao dom paternidade em comparação com os irmãos.

O nascimento do meu primeiro filho biológico, foi um dos momentos mais marcantes na minha vida, foi um filho muito desejado. Senti a grandiosidade de ser cooperador de Deus na obra da criação, grande mistério este de gerar vida. Como é possível uma criatura tão pequena e tão frágil sobreviver.

A gravidez do segundo filho, foi inesperada, não foi planeada. Ao princípio sentimos apreensão por causa das nossas condições financeiras para criar três filhos. Hoje bendizemos ao Senhor por aquilo que ele faz na nossa vida, as nossas dúvidas e medos vão-se dissipando porque quando o PAI está connosco nada nos falta.

Sinto que ser pai é cada vez mais difícil, tal como ser Cristão pois quanto mais conhecemos a Deus, mais nos envolvemos com Ele e com a Sua missão, assim acontece com os filhos, a ajuda nas tarefas escolares, as deslocações para as actividades extra escolares e pastorais (catequese, futebol, dança, teatro, escuteiros, acólitos) faz-nos deixar ter vida própria e a viver só para eles. O que exige uma grande fidelidade à missão e dom que recebemos no Sacramento do Matrimónio.

No meio de tantas afazeres e de vidas preenchidas, procuramos ter um espaço só para o casal, onde rezamos e dialogamos; este momento é importante para carregarmos as nossas baterias e apurarmos o sentido da nossa existência, os filhos não são nossos são uma dádiva de Deus e temos que prepará-los e iniciá-los constantemente no encontro com Cristo

A paternidade é um dom, uma dádiva que se vai recendo na medida em que estamos dispostos a morrer para nós para dar vida aos filhos e aprendemos a ser pais pelo EXEMPLO que recebemos dos nossos pais e damos aos nossos filhos.

Jofre Pereira, Paróquia de Peniche