Seguir Jesus tem sido a experiência mais duvidosa e ao mesmo tempo mais concreta, real, mais verdadeira que experimentei até hoje.

A dúvida tem uma razão simples: pode parecer parvo, mas desde que comecei a caminhar no Pré-Seminário, no Seminário há sempre uma parte de mim que grita: “És um parvo! Mas o que vais fazer? Assim não serás o que queres, o que sonhas! Goza mas é a vida.” É a clássica dúvida do “mas afinal quem é que manda aqui?”

Esta dúvida é uma ilusão. Ousar caminhar é desafiar esta dúvida, é ousar confiar em Jesus que me chama a partir ao seu encontro, a conhecê-l’O, a entrar na Sua intimidade! E, na medida em que fui ousando pôr-me a caminho, a fazer-me ao largo, tenho descoberto isto: apenas alicerçado nas minhas forças, não saio de umas boas intenções com alguns frutos, é certo, mas não passa disso; agora, querendo conhecer Jesus e confiando-me a Ele descubro que a minha realização, que essas “boas intensões” que esses sonhos pessoais são alargados num sem medida de originalidade.

Alguma vez pensei fazer o bem para com aqueles que estão há minha volta colocando-me ao serviço de cristãos, de doentes, de reclusos, de enfrentar situações que eu, por mim, não seria capaz de enfrentar, tudo isto, com uma liberdade e verdade que me espantou e continua a espantar? Viver na presença de Jesus, ousando caminhar na Sua intimidade, pedir a humildade para n’Ele depositar toda a minha confiança e, a partir daí, ser enviado como servo à Igreja, tem sido certamente a experiência mais concreta, mais real, mais cheia de sentido que alguma vez fiz.

Rodrigo Alves, Seminarista do 4º ano do Seminário de Cristo Rei dos Olivais