Neste domingo, a Palavra de Deus convida-nos a meditar no dom da cura. No fundo, estas leituras falam-nos do mistério salvífico de Deus. Não podemos esquecer que estamos constantemente a necessitar de ser curados, pois somos frágeis e precisamos da força de Jesus para combater as nossas fragilidades.

Tanto a primeira leitura como o Evangelho falam-nos da doença da lepra. Hoje, somos convidados a olhar para a nossa vida e a identificar quais são as “lepras” que nos impedem de chegar até Jesus. No tempo de Jesus, os leprosos eram postos de parte, levados para fora da cidade e não se podiam aproximar de ninguém. Por vezes, quando estamos mais debilitados por causa das nossas fraquezas, vivemos também à margem de Deus e dos outros, fechados em nós próprios com medo de nos aproximarmos. Será que temos a ousadia de chamar por Jesus, como fizeram os leprosos no evangelho? Ou sentimos o cansaço das repetições das nossas fragilidades?

Dizia-nos o Papa Francisco acerca disto: “A mensagem de Jesus é a da misericórdia”, acrescentando que “Deus nunca se cansa de perdoar, nós é que nos cansamos de pedir perdão.” Jesus está sempre à nossa espera para nos libertar das lepras que nos condicionam à relação com o Pai e com os nossos irmãos. Mas para que isso aconteça é preciso que saibamos pedir a Jesus como os dez leprosos: “Jesus, Mestre, tem compaixão de nós”(Lc 17, 13).

Para nos apresentarmos diante de Deus, temos a “ponte construída por Jesus”, que é a Igreja, sinal do seu corpo vivo entre nós, e é a ela que devemos recorrer para que aconteça essa total mediação. Na primeira leitura, Naamã depois de ficar curado foi apresentar-se a Eliseu, o homem de Deus e no Evangelho, Jesus manda os leprosos irem mostrar-se aos sacerdotes.

Depois de experimentarmos a cura que Jesus vai fazendo em nós, somos convidados também a dar graças a Deus por essa grande obra de misericórdia. Aprendamos a ser como o leproso, que ao ver-se libertado da lepra, “voltou atrás, glorificando a Deus em alta voz, e prostrou-se de rosto em terra aos pés de Jesus.” (Lc 17, 15-16).

São Paulo na segunda leitura exorta-nos: “se morremos com Cristo também com ele viveremos.” (2Tm 2, 11). A vida de Cristo faz-nos renascer para uma vida nova e isso deve suscitar em nós o sentimento de gratidão pelas maravilhas que Deus vai realizando em nós.

(ver) I Leitura – Salmo Responsorial – II Leitura – EvangelhoEsta semana entrevistámos o Fernando d’Oliveira, casado, assistente espiritual e responsável pela Pastoral Juvenil e Vocacional da Casa de Saúde do Telhal. Surpreendê-mo-lo com a seguinte pergunta: “Como é que é ser as mãos de Jesus que curam as lepras de hoje?”. Para quem estiver interessado em conhecer melhor o Telhal: http://www.juventudehospitaleira.org/

Domingo XXVIII do Tempo Comum | Ano C