Este domingo o Evangelho de Jesus surge com um tema desafiante, fala-nos de oração, do pedido a Deus, da fé. Além disso a Igreja convida-nos a rezar pelas missões.

Em primeiro lugar, conhecendo bem os seus discípulos, Jesus toca num ponto crucial para quem O quer seguir: “a necessidade de orar sempre sem desanimar”. Jesus conhece-nos bem, sabe a nossa fraqueza e a facilidade com que desanimamos quando O seguimos. E por isso explica-nos, com a sua vida e com esta parábola do juiz, o que devemos fazer. Do que já vamos sabendo acerca de Jesus, quantas vezes os Evangelhos nos mostram Jesus a rezar ao Pai? Muitas vezes à noite, muitas vezes sozinho, muitas vezes longe, no testemunho de unidade e confiança de quem sabe que é um só com o Pai e que o Pai atende os seus pedidos. Mas este Jesus que assim reza e confia é o mesmo que morre na cruz! Parece que não tem sentido!…. Afinal o que é que Jesus andou a pedir ao Pai?!… Parece que afinal Deus não nos atende assim tanto… Mas o que é que Jesus andou a pedir ao Pai?! Também comigo pode parecer que acontece a mesma coisa, que Deus não atende os meus pedidos… Mas o que é que Jesus andou a pedir ao Pai?!…

De facto, como entender Deus quando tanta coisa de mau existe à nossa volta? Para o nosso pensamento se Deus existe, o mal não devia existir! Não é isto que tantas vezes pensamos?

Desafiante, não? Mais uma vez à beira do mistério e Jesus, no Evangelho de hoje, continua a dizer-nos apenas que peçamos com confiança. Mas olhamos para Ele e verificamos que morreu na Cruz! Então o que é que Jesus andou a pedir ao Pai?! Será que um pouco do segredo está aí? De facto, não rezou Jesus durante toda a sua vida a pedir para que se cumprisse a vontade do Pai? Essa foi mesmo a oração de Jesus durante toda a sua vida. E o Pai atendeu-O: Jesus fez sempre a vontade do Pai. Não foi Ele «obediente até à morte, e morte de Cruz»?

Aprendemos com Jesus? Podemos agora nós pedir a Deus: «Pai, seja feita a vossa vontade»? Podemos rezar: «Pai, seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu»? Podemos repetir: «Pai, seja feita a tua vontade e não a minha»? Podemos dizer: «Pai, seja feita a tua vontade e não o que as modas impõem»? A Jesus o Pai atendeu…

Em segundo lugar, Jesus parece ligar a oração com a fé. No fim da parábola Jesus pergunta se quando voltar «encontrará fé sobre a terra». Que coragem temos para rezar? Que coragem temos para lutar contra a preguiça, contra o sono, contra os muitos afazeres, contra o fazermos a nossa vontade? Não sentimos a nossa fé a desvanecer-se quando deixamos de rezar? A nossa relação com Deus não abranda? Que coragem, fidelidade e vontade temos?

O mundo espera por nós, pela nossa oração, pela nossa vida, pela nossa ação. E este Domingo é especialmente desafiante. Não mexe connosco o sofrimento dos outros? Aqueles que não conhecem Jesus? Os que estão doentes? Os que não têm alimento ou abrigo? Os que não têm paz? Rezemos por eles, rezemos pelas missões, e perguntemos ao Pai, tal como Jesus, qual é a Sua vontade acerca de nós para eles.

(ver) I Leitura – Salmo Responsorial – II Leitura – Evangelho

Domingo XIX do Tempo Comum | Ano C