As leituras do III Domingo do Tempo Comum são marcadas por uma dinâmica que ilumina o sentido da nossa relação com Deus. No Evangelho (Mt 4, 12-23) sentimos uma atitude constante por parte de Jesus. No relato deste encontro com os pescadores da Galileia é visível a diversidade de gestos e atitudes de Jesus. Cada passo de Jesus convida-nos a olhar a sua intimidade, a sua natureza e a forma como se relaciona.

Quando “ouviu” o que acontecera com João Baptista, decidiu alterar aquilo que teria pensado. Atento, ao ouvir, decidiu caminhar para junto de outras margens. “Retirou-se”, afastando-se possivelmente daqueles que lhe eram mais próximos. “Deixou” a sua terra, porventura os pertences, as seguranças. Arriscou “habitar” numa nova terra. Cafarnaum é agora o lugar que o acolhe, a Ele e à sua vontade de anunciar, de chamar, de provocar. “Caminhando” por entre gente que lhe seria estranha, pulsando as suas vidas e seguranças, não hesitou em cruzar o seu olhar. Não teve medo de experimentar a beleza do encontro. Atento, “viu” Pedro e André, atarefados com os afazeres da vida. Lançavam as redes ao mar, confiantes que essas viriam cheias. Ao olhar aquele cenário, quis fazer parte dele. Desejou desafiá-los para uma aventura. Mal sabiam que era para toda a vida. “Disse-lhes” que ousassem segui-lo. Viu ainda, adiante, mais dois, estes emaranhados nas redes da vida, tentando dar concerto ao que havia sido rasgado. Ao aproximar-se “chamou-os” pelo nome, desafiou-os a colocarem-se de pé, a deixarem o barco e o pai. Depois partiu por essa terra ao encontro de outros, pretendeu “percorrer” não somente alguns lugares, desejou pois andar por toda a Galileia. E fê-lo porque sabia que muitos, senão todos, estavam sedentos, ainda que o desconhecessem, de o escutar. Deste modo, vai pelas sinagogas “ensinando” quem é o caminho, a verdade e a vida. “Proclamando” que o reino está próximo, que a salvação é possível e que o Evangelho é vida, quer ansiosamente que o escutem. Sabe que aquele que o escuta e segue viverá plenamente. Mas porque conhece, da mesma forma, que as enfermidades, as dores, as cargas e os rasgos, afastam as forças para caminhar, toca cada um “curando” as suas feridas. Toca-as sem receio do contágio.

Hoje, aqui e agora, Jesus deseja ardentemente desafiar-nos a escutar aquilo que Ele tem para nos dizer. Ao jeito dos primeiros apóstolos somos convidados a escutá-lo, para de seguida respondermos. Porque os verbos que marcam a vida de Jesus neste trecho do Evangelho são também os verbos da nossa vida. Aqueles que nós já vamos vivendo, ou aqueles que seremos chamados a viver. Certamente porque seguir Jesus é ouvir, retirar-se, deixar, habitar, pregar, ver, caminhar, dizer, chamar, percorrer, ensinar, proclamar e curar.

III Domingo do Tempo Comum