Não é em vão que o Evangelista escreveu até mesmo sobre o abandono da vasilha de água, que a samaritana deixou ao ir para a cidade. Numa primeira abordagem mostra o grande zelo da samaritana ao largar a vasilha, não se preocupando tanto com a matéria, como com a vantagem que é para muitos o encontro com Cristo. Ela moveu-se com um grande amor, querendo anunciar Cristo aos cidadãos, testemunhando Aquele que lhe disse ”tudo o que fez”. Chama-os para ver o homem que tem a palavra maior que o próprio homem. O visível aos seus olhos era o homem. É preciso que nós, conhecendo as coisas corpóreas, abandonemos estas vias e nos apressemos a partilhar os benefícios que recebemos com os outros.

Devemos num olhar mais profundo observar o que é a vasilha, que a samaritana ao receber as palavras de Jesus, rapidamente larga com desprezo. Afectada pela profundidade, isto é, o ensinamento, ao qual aderira antes, pega num recipiente melhor do que a bilha partida para levar da água tornada já nela princípio da “água que jorra para a vida eterna”.

Como é possível que ela anunciasse Cristo na cidade sem interesse próprio se não tivesse recebido desta água da salvação através do que tinha ouvido?

Adaptado dos Comentários de Orígenes ao Evangelho de S. João.

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