Neste V Domingo da Quaresma, somos convidados a olhar com clarividência para um sinal que aponta para uma realidade maior e mais profunda: a ressurreição de Lázaro, cuja enfermidade é sinal da doença do mundo e as ligaduras, sinal da atadura dos homens.

Ele dorme … vamos ter com ele”.

Nesta passagem o evangelista ajuda-nos a meditar na “hora” do encontro; este momento em que Deus manifesta a sua glória. Somos confrontados com o “tempo” de Deus e o sono da morte que verdadeiramente nos escapa. Acreditamos no entanto que o Senhor da vida vem até nós, até aos nossos túmulos; para que, levantando-nos do sono, todos possamos dar glória a Deus. Os cristãos devem ser homens e mulheres de esperança: “Eu não te disse que, se acreditasses, verias a glória de Deus?”

Jesus parte com os discípulos, ao encontro do amigo que dorme.

Hoje, mais de que nunca, temos a consciência de tantos “cadáveres” espalhados pelos cantos do mundo: pessoas que sofrem morte física pela violência; morte social pela manipulação; morte laboral pela perda do emprego; morte afetiva pela solidão a que muitos são votados e, ainda, morte espiritual com a perda e esmorecimento da fé em tantos cristãos.

Ora, “São doze as horas do dia”, não tenhais medo; enquanto é dia podeis fazer muitas coisas porque “Eu sou a luz do mundo” e os caminhos por onde andais são veredas planas, porque “Eu sou o caminho”, por isso, ide até aos confins da terra; tirem as pedras dos túmulos e desligai os que se encontram presos pelas ligaduras.

É evidente que estes discípulos, depois de terem apresentado ao Senhor os seus medos, (o medo de serem apedrejados, maltratados, rejeitados), perceberam que estavam com o Senhor da vida, por isso, confiaram e decidiram seguir o mestre: “vamos nós também, com ele”.

Quantas vezes, nós os cristãos, caminhamos cheios de temor; esquecendo que está connosco o Senhor do dia e da noite, luz para os nossos caminhos?

Quantas vezes soa nos nossos ouvidos: “vamos ter com o nosso amigo que dorme”?

José Cabral

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