Como é bom ver Pedro de pé diante dos homens da Judeia. Ele que negara o Senhor e longe do momento da cruz era agora renovado pelo espírito e falava em nome de Jesus. Como é bom ser animado pelo mesmo espírito. Sentir com Pedro e como Pedro o mesmo ardor dentro do coração, quando Jesus por meio dos seus discípulos faz caminho no concreto das nossas vidas, nos nossos sofrimentos e alegrias, e as transforma em algo novo. Quando sentimos que a vida toca o mistério, e ainda sem uma fé perfeita, saboreamos pela esperança a vida nova.

O salmo coloca na nossa boca uma pergunta: Que havemos de pedir ao Senhor? Podemos pedir coisas boas, belas, úteis e verdadeiras. Mas tudo isso é pouco comparado com o Senhor que as criou. É ele que nos diz: “Pedi o Espírito Santo e tudo mais vos será dado por acréscimo”. Sabemos no nosso íntimo que O devemos pedir, e devemos ter a ousadia de o fazer. Pois Ele nada mais quer do que dar-Se.

Na carta exorta-nos a viver com temor o tempo de exílio neste mundo, pois fomos resgatados pelo sangue precioso de Cristo. Sangue que é histórico e real, e que só na verdade da nossa vida encontra um terreno fértil para dar verdadeiros frutos. O temor leva-nos a experimentarmos o “já” da morte e da ressurreição de Jesus e o “ainda não” da plenitude de vida que está para vir. E pede que respondamos com o todo da nossa vida à grandeza do amor de Deus por nós.

Por fim o Evangelho fala-nos do grande tirocínio do discipulado. Afastando-se de Jerusalém, os discípulos de Emaús iam perdendo a chama, ao ponto de não reconhecerem o Senhor que caminha com eles. Apesar dos sinais, do sepulcro vazio, do testemunho das mulheres, de Pedro e de João, estes discípulos vacilam. No entanto o Senhor, na sua mansidão, acolhe com paciência e explica as escrituras. Não teria o Messias de sofrer tudo isto para entrar na sua glória? O Senhor pergunta-nos hoje também a nós: não foi necessária a jornada do calvário, para que o Senhor se manifestasse glorioso no cenáculo? Afinal, não é lá que o Senhor nos fala e explica as escrituras? Não é lá que o reconhecemos quando toma o pão, abençoa, parte e nos entrega? É pois neste grande sinal do pão que o Senhor hoje continua a chamar-nos e através dele a derramar o espírito ardente, a gozarmos dos frutos da sua Páscoa.

Domingo III da Páscoa

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